17 de jul de 2008

A triste realidade...

“Os que passam os outros para trás são heróis e os que protestam são otários,
idiotas ou excluídos, é uma total inversão dos valores. (...)
Essa idéia vem me assustando cada vez mais, desde que repreendi, numa
conversa com alunos, o comportamento do cantor Zeca Pagodinho, no episódio
da guerra das cervejas e quase todos disseram que o cantor estava certo, tontos
foram os que confiaram nele. “O importante, professor, é que o cara embolsou
milhões”, disse-me um aluno; outro: “daqui a pouco ninguém lembra mais, no
Brasil é assim, e ele vai continuar sendo o Zeca, só que um pouco mais rico”,
todos se entreolharam e riram, só eu, bobo que sou, fiquei sem graça. O pior é
quando a gene se dá conta que no Brasil é assim mesmo, o que vale é a lei de
Gerson: “o importante é levar vantagem em tudo”. (Lei de Gérson... dá para
rir...) A pergunta é: É possível, pela lógica, que todo mundo ganhe? Para alguém
ganhar é óbvio que alguém tem de perder.
A lógica é guardar o troco a mais recebido no caixa do supermercado; é enrolar a
aula fingindo que a matéria está sendo dada; é fingir que a apostila está aberta na
matéria dada, mas usa-la como apoio enquanto se joga forca, batalha naval ou
jogo da velha; é cortar a fila do cinema ou da entrada do show; é dizer que leu o
livro, quando ficou só no resumo ou na conversa com quem leu; é marcar só o
gabarito na prova em branco, copiado do vizinho, alegando que fez as contas de
cabeça; é comprar na feira uma dúzia de quinze laranjas; é bater num carro
parado e sair rápido antes que alguém perceba; é brigar para baixar o preço
mínimo das refeições nos restaurantes universitários, para sobrar mais dinheiro
para a cerveja da tarde; é arrancar as páginas ou escrever nos livros das
bibliotecas públicas; é arrancar placas de trânsito e coloca-las de enfeite no
quarto; é trocar o voto por empregos, pares de sapato ou cestas básicas; é fraudar
propaganda política mostrando realizações que nunca foram feitas.
É a lógica da perpetuação da burrice. Quando um país perde, todo mundo
perde!”
(Nailor Marques Júnior)

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