2 de fev de 2009

Sobre o Campus Party 2009

Depois de ler as impressões de alguns participantes sobre o Campus Party, gostaria de registrar também qual foi a minha visão sobre o evento.

Em primeiro lugar é importante ressaltar: O Campus Party não é um evento de Software Livre, portanto não deve ser julgado como tal.

A idéia do evento pelo que pude perceber é reunir pessoas com diferentes gostos em um único ambiente, onde o principal objetivo é o NETWORKING.

Também não julgaria o evento como sendo de "informática" por mais abrangente que seja este termo.

Fazendo um comparativo, seria como fazer um evento de música onde estariam reunidos roqueiros, pagodeiros, fãs de metal, música clássica, etc. Pessoas mais ecléticas e de cabeça aberta conseguem até aproveitar esse momento de troca de culturas. Seja para poder críticar por motivos agora reais ou simplesmente para dar o braço à torcer e admitir que outros "mundos" também podem ter seu lado bom.



Justamente por ser um evento multicultural e que abrange tecnologia como tema central, posso dizer que encontrei pessoas de todos os tipos por lá.
Reencontrei amigos e pessoas que - as vezes sem saber - fazem uma grande diferença no meu dia-a-dia.

Tive a oportunidade de ver pessoas que nunca haviam usado um computador, mexendo no Ubuntu e até gravando DVDs usando o K3b :) E não estou falando de crianças e sim de adultos: pessoas que vivem uma realidade diferente da maioria dos que estão à nossa volta.

Pude também ver alguns ex-alunos e amigos, passando o que sabem à diante, com o mesmo espírito que sempre tentei passar à eles. E isso me deixou extremamente feliz.


Para mim não foi um evento técnico. Muito menos de informática ou de software livre. Como o nome mesmo diz, foi uma grande festa onde pessoas podem deixar de lado um pouco a sua realidade para enxergar as demais.

A grande alegação ou indagação que vejo por aí é:
Uma semana e o pessoal não produz nada... vale a pena?

Bom muitas coisas são produzidas por lá sim, mas não tanto quanto em um evento voltado à esse fim.

Party.... o nome já fala que o evento visa um grande encontro de culturas cujo único "comum" é o uso da internet e de tecnologia de alguma forma.

Mas e como as pessoas pagam 100 ou 150 reais para ficar uma semana "sem fazer nada"?

Bom, tem gente que gasta isso em uma única saída numa danceteria ou qualquer "balada" por aí. É caro? Sim é.
Mas vamos lembrar do foco do evento, que já está bem descrito em seu nome. O Campus Party não tem um objetivo técnico como o FISL tem... ou tinha até pouco tempo.

Então fica a dica:

Quer ir num evento realmente técnico para aprender coisas novas e passar conhecimento à diante? Vá ao tchelinux e ao Conisli.

Quer tirar "férias" de uma semana para conhecer um pessoal diferente, fazer amizades e sair um pouco da sua "caverna"? Vá ao Campus Party.

Agora, se você prefere um evento voltado para Software Livre mas que fale mais de filosofia, política e também quer fazer um networking, vá ao FISL.

São eventos diferentes, com focos diferentes. Se você souber, pode aproveitar todos eles da maneira que julgar melhor ;)

Fotos e Vídeos - Campus Party 2009

9 comentários:

Nilson disse...

ótima definição, até agora de longe o melhor artigo sobre 'impressões da campus party' que li.

Phoenix disse...

Muito bom.

E é bem por aí... na mais simples definição da palavra, é uma verdadeira festa. =)

[]'s

André Gondim disse...

Hmmmmm, legal, não havia analisado por esse ponto de vista... Ano que vem pretendo ir para ver como é heeh

Abração!! ;)

rafasgj disse...

Bruna, eu concordo contigo sobre o "Campus Party" ser uma festa e que o objetivo não é produzir nada. Até aí tudo bem...

Mas e a grana que EU paguei em impostos para o governo que ajudou esse pessoal a FAZER NADA por UMA SEMANA ???

Entendeu porque eu sou contra a Campus Party e o FISL?

Bruna disse...

Hmm entendo seu lado Rafa.

Eu também não concordo quando vejo a grana dos impostos indo para alimentar presidiários ao invés de fazê-los trabalhar ou quando essa grana é usada de forma ilícita e milhões são desviados...

Mas nesse caso, como eu afirmei, o foco não é que o pessoal fique só produzindo, mas existe produção sim!
E só não há mais por que as pessoas que estão lá não querem.

Num país onde o governo "investe" rios de dinheiro por causa de coisas que para mim são fúteis, como futebol, não acho tão ruim que invistam em um evento de tecnologia, mesmo que com um foco que não agrade à todos.

Thiago Paixão disse...

Perfeito Bruna.

Vi por ai muitas críticas de pessoas que nem ao menos participaram do evento, e que se baseava nas críticas dos outros para sustentar seus argumentos de que o Campus Party não deveria existir.

Exatamente como você fez, primeiro tem que se definir o foco do evento, e na minha opinião, dentro do seu foco e do que ele se compromete, ele acabou sim cumprindo seu objetivo.

Apesar de não ser um evento de software livre, existia sim um comprometimento não só com o software livre, mas também com a cultura e conhecimento livre em geral.

Quanto à ser produtivo, acho que poderiam ter sido sim mais produtivo do que foram, mas não se pode negar que qualquer evento cultural apesar de não produzir algo de concreto imediatamente, abre discussões, gera idéias e pensamentos que podem sim influencia no futuro de uma sociedade. Claro, apesar de ser também uma "festa" e cumprir o papel do lazer.

Kinn Th0dy disse...

Concordo com suas palavras Bruna, sem tirar nem por... Mas discordo do comentário(aí acima) de NÃO PRODUZIR NADA... e as palestras são oquê? e as oficinas? as pessoas aprendendo computação em grade, robótica... Mostrando nosso mundo para pessoas que nunca tiveram contato com um computador... Sim, inclusao digital, e INCLUSAO DE VERDADE, envolvendo etica no meio desse caos que se encontra a rede mundial...
é isso que esperamos de uma festa... quer produtividade 100%? senta a bunda na cadeira e vá trabalhar =)

ps: não foi pra vc Bruna, hehehe.

[]'s

Jorge De Araujo disse...

Báh! Acho que tu disseste tudo. Parabéns pela capacidade de síntese e pelo despreconceito ao lidar com propostas diferentes!

Jorge De Araujo disse...

Báh! Acho que tu disseste tudo. Parabéns pela capacidade de síntese e pelo despreconceito ao lidar com propostas diferentes!